
AFP / BASHIR KHAN SAFI Membros das forças de segurança afegãs patrulham área após retomarem a região de Kunduz dos talibãs, no dia 21 de agosto de 2016
As forças de segurança afegãs reconquistaram neste
domingo um bairro que havia caído brevemente nas mãos do Talibã perto de
Kunduz, mas os civis continuam a fugir por medo dos combates.
"A ameaça sobre Kunduz foi levantada",
garantiu à AFP o porta-voz do ministério do Interior, Sediq Sediqi. "O
Talibã não opôs muita resistência e agora estamos perseguindo seus combatentes
que estão na defensiva", acrescentou.
A chegada de um contingente de cerca de 200 homens
do exército e da polícia e reforços de artilharia permitiram a retomada do
controle do distrito de Khan Abad, localizado 30 quilômetros a leste da cidade
de Kunduz, no nordeste do país.
A área caiu sob o controle dos insurgentes no sábado
depois que lançaram um ataque durante a madrugada.
Kunduz, a grande capital do norte do país, esteve
nas mãos dos talibãs durante três dias no ano passado. O feito foi a maior
vitória militar dos insurgentes desde 2001.
Depois deste incidente, os Estados Unidos e o
Afeganistão garantiram que não iriam permitir que qualquer outra aglomeração
fosse controlada pelos rebeldes islamitas.
O representante do governo indicou que as operações
de varredura continuavam neste domingo nas últimas áreas.
O distrito foi recuperado pela forças do governo
sábado à noite, segundo Sayed Mahmud Danish, porta-voz do governado de Kunduz.
"Agora os talibãs estão sendo perseguidos. Já
não há nenhuma ameaça para a cidade, estamos expandindo nossas operações fora
do distrito", disse Sediqi.
No início deste mês, o grupo lançou uma ofensiva
contra a província de Helmand, no sul, conseguindo cercar sua capital, Lashkar
Gah, onde 200.000 pessoas vivem, mas foram parados pelas forças afegãs
auxiliadas pela aviação americana.
"Nós não fomos capazes de implementar todo o
nosso plano operacional em Kunduz porque ainda estávamos ocupados em outras
regiões", reconheceu Sediqi, depois que as autoridades locais criticaram
no sábado a falta de reforços.
Campos minados
A cada nova onda de violência, ainda que breve, os
civis sofrem e se veem obrigaos a se trancarem em suas casas sem suprimentos ou
são forçados a fugir em busca de refúgio.
Quando ocorrem combates, as rotas são bloqueadas e
as escolas fechadas. Muitas vezes, minas terrestres são plantadas e pontes
destruídas.
Khalid, um comerciante de Khan Abad, disse à AFP
que as pessoas ainda estão preocupadas com a ameaça de um retorno do Talibã à
cidade.

AFP / BASHIR KHAN SAFI Um membro das forças de segurança afegãs patrulha área após retomarem a região de Kunduz dos talibãs, no dia 21 de agosto de 2016
"As ruas estão vazias. Existem poucas lojas
abertas na cidade. As pessoas não têm acesso a alimentos ou água. Nós ainda não
podemos voltar para as nossas casas", disse ele.
Mohamad Sahim, outro residente da zona, disse que
os insurgentes haviam saqueado a cidade e que incendiaram prédios do governo.
"As pessoas têm medo, não vejo muitas nas
ruas, as escolas estão fechadas", disse ele, acrescentando que há um risco
de uma escassez de produtos de primeira necessidade.
Nas últimas semanas, a população de Helmand sofreu
o mesmo destino antes do avanço dos talibãs para a capital provincial, Lashkar
Gah.
A ONU estima que entre janeiro e junho, 1.601
afegãos morreram e 3.565 ficaram feridos, dos quais um terço eram crianças.
Fonte:
Deixe o seu comentário clicando no balãozinho no topo da postagem próximo ao titulo.
0 Comentários