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Comitê investiga indícios de violência sexual e psicológica que autoridades católicas teriam tentado acobertar.

Atualizado em  4 de maio, 2014 
Sacerdote da Igreja Católica (foto: Getty)
Comitê da ONU Contra a Tortura analisa supostos abusos cometidos por padres católicos na AL
Juan Carlos Cruz conheceu o sacerdote chileno Fernando Karadima quando tinha 16 anos. Seu pai havia morrido e o enviaram ao padre para receber ajuda.
"Ele disse que seria meu diretor espiritual e que Deus havia dito a ele que seria meu novo pai. Eu pensava que ele era um santo".
Mas naquela época Cruz não previa o que estava por vir: anos de abusos sexuais e psicológicos. Ele tampouco imaginava que 20 anos depois seu testemunho seria crucial para registrar perante o Comitê das Nações Unidas Contra a Tortura a suposta rede de ocultamento implementada pela Igreja Católica para proteger esse tipo de sacerdote e evitar sua apresentação à Justiça.
"O abuso de Karadima é horrível. Mas o que mais dói é a resposta dada por aqueles que deveriam cuidar de nós e se tornaram nossos piores inimigos", disse Cruz à BBC Mundo se referindo à cúpula da Igreja.

Tortura e silêncio

Na semana passada o Comitê da ONU Contra a Tortura ouviu em Genebra testemunhos sobre possíveis abusos. Ao longo da semana o órgão deve interrogar representantes da Santa Sé.
"A Santa Sé é um dos 155 Estados que aderiram à Convenção contra a Tortura e Tratamentos Cruéis, Inumanos ou Degradantes e está obrigada a se submeter a exames regulares de seus registros perante uma comissão de dez especialistas independentes”, afirmou a ONU em um comunicado sobre as razões para a investigação.
Um dos documentos mais importantes obtidos pelo comitê vem do Centro de Direitos Constitucionais, que representa a Rede de Sobreviventes Abusados por Sacerdotes, que diz agrupar 12.000 vítimas e trata especialmente de casos ocorridos na América Latina.
O relatório trata de casos de violência sexual, abuso psicológico e ações que equivaleriam à tortura em todo o mundo. Ele traria evidências de que a Igreja teria ocultado casos na América Latina.
"Há evidências suficientes de que existe um grande problema na América Latina. Os casos que destacamos mostram claramente uma rede de diferentes bispos e países distintos. Todos sabiam o que estava acontecendo e não quiseram colaborar com as autoridades. Enquanto isso, crianças e outras pessoas eram deixadas nas mãos de agressores", afirmou Pam Spees, uma das responsáveis pelo relatório.
"O papa Francisco é da região. Obviamente há perguntas sobre o quanto ele sabia, seu papel e por que colocou sacerdotes questionados em posições de poder. É uma mensagem poderosa", disse Katie Gallager, a advogada do Centro de Direitos Constitucionais encarregada de apresentar os casos em Genebra.
Os últimos três papas, João Paulo 2º, Bento 16 e Francisco condenaram os abusos e pediram perdão publicamente às vítimas. Em uma cerimônia em janeiro, Francisco chegou a dizer que os casos de abusos "são a vergonha da Igreja".
Mas outro relatório enviado pelo Vaticano ao comitê não trazia alusões a casos de abusos e pedofilia. A BBC Mundo tentou entrar em contato com porta-vozes do Vaticano mas não obteve resposta.
Leia abaixo um resumo dos principais casos que devem ser abordados.
O documento obtido pelo comitê da ONU afirma que o cardeal Francisco Errázuris recebeu uma queixa formal de abuso cometido por um religioso em meados de 2003, mas teria tentado dissuadir os prejudicados de continuar com as acusações. Quando eles insistiram o cardeal suspendeu a investigação por três anos e depois a remeteu para o Vaticano.
Porém a reação só ocorreu quando as vítimas tornaram o caso público com o objetivo de iniciar processos criminais.
Seu sucessor, Ricardo Ezzati, também é mencionado no relatório por "não fazer nada a respeito das acusações durante anos" e por "obstrução à Justiça em outro caso".
Os dois bispos foram questionados pela Justiça. Mesmo assim, o papa Francisco nomeou Ezzati cardeal em fevereiro e fez de Errázuriz membro de um grupo de oito cardeais encarregados de reformar a Cúria.
Já Karadima "foi levado a uma vida de oração e penitência pelo Vaticano". Mas o relatório diz que ele continua sendo sacerdote e teria sido visto recentemente celebrando missas.

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