SÃO PAULO — Entre às 18 horas de sábado e às 7 horas deste domingo, a Polícia Militar de Santa Catarina registrou mais 12 ocorrências relacionadas à onda de ataques comandada por uma facção criminosa do estado. Desde quarta-feira, quando os atentados começaram, foram 43 ataques em 14 municípios catarinenses. Há 15 pessoas presas e apreendidas, a maioria menores de idade. Ainda segundo a PM, nesta madrugada, Jean de Oliveira, de 22 anos, foi morto em confronto com policiais militares em
Joinville, no bairro Copacabana.
De acordo com o relatório da PM, por volta das 03h15, um policial teria visto dois homens numa motocicleta com a placa dobrada atirando para o alto. O PM pediu reforço pelo 190 e também acionou dois colegas que estavam de folga para ajudá-lo. Os policiais relatam que se identificaram ao abordar os motociclistas. Jean de Oliveira, que pilotava a motocicleta, sacou uma arma de fogo e um dos policiais reagiu e atirou. Ele morreu no local. Seu acompanhante foi preso e a arma que portavam foi apreendida.
Um ferido está internado Hospital Celso Ramos, em Florianópolis, desde a madrugada de sexta-feira. Iron de Melo, de 19 anos, teria sofrido queimaduras ao sair de um ônibus incendiado.
Os ataques têm relação com a onda de violência que afetou o estado em novembro do ano passado, apontam as investigações da polícia. Os crimes seriam comandados por facções criminosas que agem dentro de presídios e teriam sido motivados pela transferência de presos e medidas de endurecimento de ações dentro das penitenciárias, como o corte de regalias e uma fiscalização mais rigorosa de uso e entrada de celulares.
— Trabalhamos com a hipótese de que as ocorrências estejam relacionadas com os crimes de novembro de 2012. As investigações indicam que os atques estão relacionados a ações tomadas pela Secretaria de Segurança Pública que resultaram num tratamento mais duro dentro dos presídios, tais como transferências de presos e rigor maior na fiscalização de uso e entrada de celulares — explicou o major João Batista Reus, da PM.
O governo de Santa Catarina anunciou na sexta-feira que ativou a sala de situação no Comando Geral da Polícia Militar e mobilizou efetivos policiais em todo o estado. O estado informou que já trabalha em parceria com órgãos federais, como Polícia Federal e Agência Brasileira de Inteligência e Exército, em ações contra o crime organizado.
Ataques a ônibus e batalhão da PM
Em Joinville, dois homens numa motocicleta atiraram contra a base da Polícia Militar do bairro Aventureiro. Pedras foram jogadas contra um ônibus no bairro Panaguamirim, que circulava com escolta de uma viatura da PM. Um vidro lateral foi quebrado.
Em Criciúma, homens numa motocicleta atingiram a casa de uma policial civil com coquetel molotov. Na mesma cidade, um ônibus foi invadido por dez homens, quatro deles armados. Todos fugiram e não houve feridos.
Em São Frascisco do Sul, um ônibus foi incendiado e a base do 27 Batalhão de Polícia Militar foi atacada com coquetel molotov.
Um sala da subprefeitura de Araguari foi incendiada. No mesmo prédio, há um posto da Polícia Militar que não chegou a ser atingido pelas chamas. No entanto, a rede elétrica foi danificada.
Em Itajaí, no bairro Cordeiros, dois suspeitos jogaram coquetel molotov no pátio do prédio da subprefeitura. Tentavam incendiar os veículos estacionados no pátio, mas erraram o alvo: o artefato bateu no muro.
Em Chapecó, no bairro São Pedro, um micro-ônibus escolar estacionado na rua foi incendiado. A polícia acredita que na mesma cidade criminosos tentaram atear fogo num ônibus estacionado no pátio da prefeitura, mas fugiram antes de iniciar o incêndio, deixando no local vasilhames com combustível.
Na BR-101, perto de Maracajá, duas carretas, uma delas de combustível foram incendiadas no pátio de um posto, enquanto os motoristas jantavam. Ninguém ficou ferido.
Entre às 18 horas de sábado e às 7 horas de domingo, não foram registrados ataques em Florianópolis e Camboriú. Segundo o major João Batista Reus, isso é resultado de ações preventivas da polícia.
— Nos trajetos de ônibus e locais mais críticos, temos mantido o acompanhamento de viaturas em vigilância constante. Esperamos que nos próximos dias a situação seja controlada — afirmou o major.
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